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A Associação

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                                                                                                        Nossa História

A Associação Quilombola Social e Cultural Escrava Feliciana (AQUEF) é fruto de um movimento de valorização da memória, da cultura e da religiosidade popular existente no município de Itinga, Minas Gerais.

A inspiração para esse movimento surgiu a partir dos estudos e do incentivo do médico e folclorista Dr. Joaquim Souto Filho, que identificou a existência de uma devoção centenária à Escrava Feliciana, personagem presente na tradição oral do município e reverenciada por muitas pessoas como símbolo de fé, resistência e esperança.

Segundo a tradição transmitida de geração em geração, Feliciana era uma jovem escravizada que sofreu intensa perseguição e violência motivadas pelo preconceito e pela crueldade de sua senhora. A narrativa popular conta que ela foi lançada em um forno ainda em brasas, conseguindo sair gravemente ferida. Sem receber ajuda por medo da influência de seus algozes, percorreu a região por dias até ser acolhida por um vaqueiro, falecendo pouco tempo depois. Ainda de acordo com a tradição, acontecimentos considerados extraordinários marcaram seu sepultamento, dando origem à devoção popular que permanece viva até os dias atuais.

Com o objetivo de organizar e fortalecer esse movimento cultural e religioso, foi criada, em 2004, a Associação Quilombola dos Devotos da Escrava Feliciana, responsável pela realização da primeira festividade em sua homenagem.

Em 2014, a entidade foi reorganizada, sendo constituída a atual Associação Quilombola Social e Cultural Escrava Feliciana (AQUEF), sucedendo a associação anterior e ampliando sua atuação. Seu primeiro presidente foi Pierry Augusto Gusmão de Menezes, sendo posteriormente sucedida pelo atual presidente, Alírio Ramos da Silva.

Desde então, a AQUEF desenvolve ações voltadas à preservação da memória da Escrava Feliciana e à valorização da cultura afro-brasileira, promovendo a tradicional Festa da Escrava Feliciana, incentivando a religiosidade popular, fortalecendo a consciência negra, contribuindo para o turismo religioso e cultural e resgatando as tradições que fazem parte da identidade histórica de Itinga e do Vale do Jequitinhonha.

Mais do que preservar uma história, a AQUEF busca manter vivo um patrimônio cultural construído pela fé, pela memória coletiva e pelo compromisso com a valorização das raízes, da identidade e da dignidade do povo quilombola e de toda a comunidade itinguense.

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MISSÃO

Preservar e promover a memória da Escrava Feliciana, fortalecendo a cultura afro-brasileira, a religiosidade popular, a consciência negra e o desenvolvimento social, cultural e turístico de Itinga.

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VISÃO

Ser reconhecida como referência na preservação do patrimônio histórico, cultural e religioso ligado à Escrava Feliciana, contribuindo para a valorização da identidade quilombola e da cultura do Vale do Jequitinhonha.

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VALORES

  • Respeito à dignidade humana.

  • Valorização da cultura e da memória afro-brasileira.

  • Fé e respeito à religiosidade popular.

  • Igualdade racial e justiça social.

  • Ética, transparência e responsabilidade.

  • Inclusão, solidariedade e participação comunitária.

  • Preservação do patrimônio histórico e cultural.

  • Compromisso com as futuras gerações.

DIRETORIA

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NOSSOS
ASSOCIADOS

HISTÓRIA DA ESCRAVA FELICIANA

                  História da Escrava Feliciana

A história da Escrava Feliciana constitui um dos mais importantes patrimônios da memória e da tradição oral do município de Itinga, no Vale do Jequitinhonha. Transmitida de geração em geração há mais de dois séculos, sua trajetória permanece viva na religiosidade popular e na identidade cultural da região.

Segundo os relatos preservados pelos moradores mais antigos, os acontecimentos teriam ocorrido entre os séculos XVIII e XIX, em uma fazenda localizada na região conhecida como Pasmado/Pedrado, território situado entre os atuais municípios de Itinga e Medina, em Minas Gerais.

A tradição conta que Feliciana era uma jovem negra escravizada, com aproximadamente 15 anos de idade. Ela teria sido adquirida por uma influente família da região durante uma viagem destinada à compra de mudas de laranjeiras. Dona de rara beleza, simplicidade e profundo espírito religioso, Feliciana despertou o ciúme de sua senhora, Maria Joaquina, que passou a persegui-la e submetê-la a constantes maus-tratos.

Segundo a tradição, movida pelo ciúme e pela crueldade, Maria Joaquina ordenou que um forno utilizado para assar quitandas fosse aquecido. Em seguida, determinou que outros escravizados lançassem Feliciana em seu interior. Os relatos contam que, enquanto permanecia no forno em meio ao intenso sofrimento, a jovem não pronunciou palavras de revolta ou ódio. Ao contrário, permaneceu em oração, entregando sua vida a Deus e demonstrando uma fé que impressionou aqueles que presenciaram a cena.

Quando o forno foi aberto, Feliciana ainda estava viva. Gravemente queimada, conseguiu sair e seguiu caminhando pela região em busca de socorro.

Antes, porém, Maria Joaquina teria ameaçado toda a comunidade, afirmando que qualquer pessoa que ousasse ajudar a jovem sofreria o mesmo castigo. Temendo a influência e o poder da família, ninguém teve coragem de prestar auxílio.

Durante três dias e três noites, segundo a tradição, Feliciana caminhou pela região, gemendo de dor e pedindo ajuda. Apesar do sofrimento extremo, manteve sua confiança em Deus até os últimos momentos de sua vida.

Ao final dessa dolorosa caminhada, um vaqueiro que procurava bezerros perdidos nas proximidades encontrou a jovem gravemente ferida. Sensibilizado com seu estado, acolheu-a e tentou cuidar de seus ferimentos. Entretanto, devido à gravidade das queimaduras, Feliciana faleceu pouco tempo depois.

Os relatos populares afirmam que, logo após sua morte, acontecimentos extraordinários marcaram aquele lugar. Inúmeras borboletas passaram a sobrevoar seu corpo e um perfume suave e agradável tomou conta do ambiente, fato que impressionou profundamente o vaqueiro.

Com respeito e piedade, ele a sepultou no próprio local onde faleceu, colocando uma pequena cruz e algumas pedras para marcar sua sepultura.

Com o passar do tempo, aquele lugar tornou-se um espaço de oração e peregrinação. Segundo a religiosidade popular, inúmeras pessoas passaram a visitar o túmulo da Escrava Feliciana para fazer suas preces, agradecer graças alcançadas e pedir sua intercessão junto a Deus. A fama de mulher santa e milagrosa espalhou-se por toda a região, fortalecendo uma devoção que permanece viva até os dias atuais.

Grande parte dessa tradição foi preservada por antigos moradores da região. Entre eles destacam-se os relatos do Senhor Adair, que afirmava ter ouvido a história de um idoso escravizado, vizinho do Senhor Cirilo, que teria conhecido Feliciana, e do Senhor Rosalino, filho do Senhor João Bonito e neto do Senhor Quirino, cujo avô também dizia ter conhecido a jovem e confirmado os acontecimentos narrados.

Até hoje, a memória da Escrava Feliciana é preservada por meio da fé popular, das novenas, da oração do terço, das manifestações culturais e da tradicional Festa da Escrava Feliciana, realizada anualmente no mês de novembro. Para milhares de devotos, Feliciana representa um símbolo de inocência, resistência, fé inabalável, esperança e amor a Deus, tornando-se um importante patrimônio cultural, religioso e histórico do Vale do Jequitinhonha.

A Importância da Escrava Feliciana

É com imensa satisfação que escrevo estas palavras para expressar, sob minha ótica, a importância da Escrava Feliciana para o povo e a cidade de Itinga. Essa relevância pode ser compreendida a partir de três grandes eixos: o Histórico, a Religiosidade e o Turismo.

 

A história da Escrava Feliciana nos remete a um capítulo profundo da memória brasileira e itinguense, quando a força de trabalho nas grandes fazendas era composta por pessoas escravizadas, trazidas do continente africano. Essas pessoas viveram em condições desumanas, enfrentando violências e humilhações que, em grande parte, não foram registradas e, por isso, permanecem desconhecidas. A trajetória de Feliciana nos revela uma dessas histórias silenciadas — vítima de um assassinato brutal motivado pelo racismo, que ainda nos assombra até os dias atuais.

 

Outro aspecto fundamental em torno da figura de Feliciana é a vivência da fé. Há mais de 100 anos, a “Santa Friciana”, como é carinhosamente chamada por seus devotos, tem sido fonte de devoção popular. São inúmeros os relatos de graças e milagres atribuídos à sua intercessão, fortalecendo a religiosidade do nosso povo.

 

Atualmente, realiza-se anualmente a Festa da Escrava Feliciana, que tem como um de seus principais objetivos preservar e celebrar essa tradição. A festividade, além de manter viva a memória e a fé, também impulsiona um dos setores que mais cresce no mundo: o turismo religioso, gerando oportunidades econômicas e promovendo a valorização da cultura local.

 

Finalizo com um sincero agradecimento à Escrava Feliciana, por sua história, por sua fé e por seu legado. Que sua memória jamais seja esquecida, e que continue a inspirar a construção de uma sociedade mais justa, tolerante e humana.

 

Pierry Augusto Gusmão de Menezes

Pintura escrava Feliciana

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